A sorte não estava ao lado
- Amanda Fraga
- 28 de jun. de 2016
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de mar. de 2025

O universo não conspirava necessariamente a favor. Os ventos não sopravam totalmente em suas direções. Eles, porém, escolheram escrever uma linda história na companhia um do outro.
As perfeitas batidas de seus corações, os sorrisos reluzentes e as risadas como sinfonia revelavam a sintonia que existia bem ali, entrelaçando suas vidas. Os problemas, as discussões e os exageros das aflições os tomavam como quando acontece com qualquer outro alguém… Entretanto, nada os fazia parar, pois embora o barulho do mundo exterior tentasse os fragilizar, havia uma bela música que tocava em seus lares interiores.
A orquestra que atuava no momento presente evitava as interferências do passado e a ansiedade do futuro. Não permitiam nenhuma outra melodia que não fosse aquela convertida em amor. Amor constatado somente em um olhar. Amor no agir, no sorrir, no cuidar. Um sentimento duradouro, puro, incondicional, que aflora o nosso lado mais emocional. A banda que tocava em seus corações não permitia invasores, pessoas, sentimentos, circunstâncias ou nenhuma outra “nota” que não se alinhasse à melodia habitada em cada um deles.
O passado barulhento e o futuro de incertezas pouco importava para aquela atmosfera de plenitude, longe da efemeridade, e cada vez mais próxima da regularidade dentro de si. Andavam, assim, na contramão da banalidade do “bem-me-quer". Por sinal, faziam juras contínuas um ao outro sobre companheirismo e respeito mútuos – juras de duas pessoas dispostas a viver uma história que de nada tinha de conto de fadas, mas que lutavam para a relação dar certo.
Resolveram, portanto, arriscar em um caminho de buscas constantes. Seguiam passos firmes, de mãos dadas, ainda que às vezes de corpos não tão próximos assim, mas nenhum à frente do outro – apenas lado a lado.
A rota que seguiam era um caminho aparentemente sem volta, construindo uma história única e, ao mesmo tempo, duplamente linda. Os laços que passaram a ser feitos desfaziam os nós que os impediam de seguir – como já fora dito, invasores não eram bem-vindos ali.
Quando machucados, respeitavam o espaço um do outro e depois escolhiam se perdoar, pois entendiam que o melhor caminho para a superação dos problemas era estar aberto ao diálogo, respeitar as diferenças (dentro de um limite) e buscar um alinhamento como casal. No final, a melodia resultada da reconciliação, repleta de risos, ressoava em um tom de renovação e força para o sentimento que os mantinham ligados, trazendo mais leveza naquele caminhar. Isso era, sem dúvida, uma grande motivação para que pudessem continuar a dar os próximos passos, mesmo em um terreno desconhecido, sem saber ao certo aonde iriam chegar.


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