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Dupla dinâmica

  • Foto do escritor: Amanda Fraga
    Amanda Fraga
  • 7 de nov. de 2016
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de mar. de 2025


Em plena segunda-feira, encontrava-me atrasada para chegar ao meu estágio, que ficava do outro lado da cidade. Ao avistar uma linha de ônibus Pituba/Itaigara quase virando a esquina, corri desesperadamente em meio ao sol a pino.

Com as mãos para o alto, fiz um sinal na tentativa de o motorista parar. Por sorte minha ou bondade dele, a porta da frente foi aberta – tratava-se de um novo modelo de ônibus que circulava pela cidade. Um homem me cortou, passando na minha frente, e atrás de mim mais duas pessoas se juntavam à escada para pegar o mesmo transporte.

Na minha vez de passar pela catraca, percebi que a cobradora continuava com seu fone de ouvido, cantarolando uma música que não dava bem para identificar. Mesmo assim, fiz questão de cumprimentá-la com um “Boa tarde!”, que ela mais pareceu não escutar.

Do Comércio ao Iguatemi, muitos quilômetros se passaram. Durante o trajeto, o motorista passou direto por vários pontos, ignorando as pessoas que ali estavam… Logo, concluí que foi pura sorte minha ele ter parado para mim, minutos atrás. Inconformados, os(as) passageiros(as) se queixavam do fato de o motorista não parar no local correto, mesmo as pessoas acionando o alarme de ponto com antecedência.

– Olha o ponto, motôôôô !!! Vai, filo da mãe!!! – disse um homem em pé, irritado.

Nem preciso dizer que o ônibus estava em uma velocidade acima do normal, né?! Sua pressa era tão nítida, que, enquanto uma jovem descia do ônibus, o condutor do veículo fechou a porta, deixando uma de suas pernas presa à porta. Indignada, ela retrucou:

– Presta atenção ao seu trabalho, rapaz!!! Como é que você prende a minha perna na porta?! – questionou a moça ao motorista, assim que chegou na parte da frente do ônibus, na tentativa de ficar cara a cara com o motorista.

Sem pensar em uma resposta melhor, o homem, no exercício de sua função, respondeu:

– Desculpe-me, moça! Eu estava conversando e, por isso, não vi que iria prender a sua perna.

Não satisfeita com aquela resposta, a passageira continuou a falar. Àquela altura, o motorista já havia arrastado o ônibus sem escutar a tréplica da vítima. Eu, que estava sentada praticamente na parte do meio do veículo – nem um pouco confortável com um homem que cochilava ao meu lado, exalando álcool a cada ronco e batendo a sua cabeça constantemente em meu ombro –, ouvi a cobradora chamando alguém.

– Ei, psiu!

Tentei ler uma mensagem recém-chegada em meu celular. Foi quando ela continuou:

– Moooça!!! Você aí, de blusa branca...

E, insistindo, falou baixinho com alguém:

– Chama ela aí, por favor.

Um homem me cutucou por detrás. Olhei por cima dos ombros, e ele fez sinal para frente. Quando voltei a cabeça, ela perguntou:

– Você pagou a passagem?

Eu não podia crer naquele questionamento. Todas as pessoas do ônibus estavam, naquele momento, com a atenção voltada para nós duas. Sem graça, mas tentando manter a calma, respondi:

– Claro… E foi com o Salvador Card.

– Eu não vi – continuou.

– Pois é, mas eu paguei...

Percebendo que eu não queria levantar, ela pediu, mesmo assim, o cartão para tirar a dúvida e verificar se o pagamento da passagem tinha sido realmente efetivado. Espumando de raiva, prontamente levantei com o meu cartão cor-de-rosa, andei umas quatro fileiras para alcançar a máquina e, com toda minha força, bati o cartão no aparelho. Em meio ao silêncio dos passageiros, a máquina emitiu seu som – BIIIIP –, evidenciando que os R$1,65 da passagem haviam, de fato, sido descontados.

Naquele momento encarei a funcionária pensando no que eu poderia dizer a ela. Mas, em vez de falar aos montes, apenas dei aquela olhada e retornei ao meu lugar. Respirei fundo para tentar ser uma pessoa educada – ao menos por fora – e melhor que a cobradora e o motorista naquele dia, em que as sucessões dos fatos explicitavam a grande atenção e o profissionalismo daquela dupla dinâmica.



 
 
 

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