Silêncio
- Amanda Fraga
- 26 de mar. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 12 de mar. de 2025
Repara bem no que não digo.
Paulo Leminski
Entre tantas palavras, optei pelo silêncio. Logo eu, que tanto prezo pelo diálogo, busco indicar onde dói e discutir uma situação mal resolvida, hoje tenho me agarrado ao silêncio como única saída. Se antes necessitava expressar-me através das palavras, sejam elas ditas ou escritas, reinventei-me colocando em prática outras possibilidades de minha mensagem ser compreendida. É que após desgastar-me com tanto tempo dedicado aos argumentos, eu me permiti a liberdade de exercitar o silêncio de modo mais consciente – embora, confesso, nem sempre consiga.
Tão importante quanto reconhecer as palavras como essenciais para uma comunicação eficaz, é nos resguardar para utilizá-la com sabedoria. Requer identificar momentos oportunos e respeitar os próprios limites, para as nossas vozes não serem deturpadas ou abrirem precedente para tentarem nos invalidar. Envolve, também, controle emocional ao notar a indiferença daquele a quem dedicamos a nossa atenção, e coragem para guardar as nossas palavras para quem realmente importa e deseja escutá-las.
Então, permita-se, de vez em quando, que alguns episódios sejam protagonizados por outros contornos diferentes daqueles que compõem as palavras. Permita-se descobrir quantos elementos cabem em um silêncio, sobretudo quando o seu vocabulário estiver esgotado. Neste cenário, o melhor a ser feito é recolher os argumentos e só abrir espaço para um ator fundamental sobressair no palco – o silêncio. Possibilite-o, por mais contraditório que pareça, o exercício de um de seus mais incríveis e valiosos papéis: comunicar sem recorrer a uma unidade sonora sequer. Afinal, se "A palavra é prata e o silêncio é ouro", há momentos em que "Benditas sejam todas as palavras ditas em silêncio [...]", não é?


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