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Ressignificando o "não"

  • Foto do escritor: Amanda Fraga
    Amanda Fraga
  • 21 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de mar. de 2025

Logo na infância, ensaiando os primeiros passos e descobrindo o mundo ao qual viemos, ouvimos os primeiros nãos. Nessa fase da vida o não faz parte de uma linguagem que, como uma modulação de comportamento, assume um significado de proteção e orientação, e a criança que o recebe tem seu contato inicial com os primeiros episódios de dor e frustração, desencadeando reações diversas e até então desconhecidas para ela. À medida que nos desenvolvemos, a palavra "não" amplia-se em seus sentidos, passando não apenas a pertencer ao outro, mas a fazer parte de nós mesmos – a incorporamos ao nosso repertório e a reproduzimos como demarcação de desejos e limites próprios. Significa dizer, então, que o não assume diversas funções ao longo de nossa existência, evoca diferentes sensações e nos permite realizar leituras distintas, de acordo com o contexto no qual ele se aplica.

Faz-se necessário, entretanto, analisar como lidamos com as sucessivas combinações de nãos em meio às expectativas e à realidade de nossas experiências, pois, assim como desde cedo somos impactados por esse elemento regulador, na fase adulta continuamos a lidar com as emoções geradas pela negação – o que muda é a ampliação da autonomia para lidar com as emoções provocadas por ele, como a dor, a tristeza, a frustração, o medo, a fúria etc. Sendo assim, o modo como enfrentamos esses tipos de sentimentos e emoções é fundamental para nos fortalecer, mas demanda escolhas e um equilíbrio emocional adquirido ao longo de nossas vivências.

Nessa perspectiva, as negações podem assumir uma função crucial na relação estabelecida entre o "eu" e o outro, influenciando na autopercepção e em nossos posicionamentos em múltiplos espaços. Nesse processo, os tão temidos nãos compõem a colcha de retalhos que nos constitui: nos moldam e nos marcam de diferentes formas, tamanhos e em diferentes lugares. Por isso, os nãos não só podem – como devem – ser realocados da perspectiva da dor. A porta que se fecha não deve ser resumida única e exclusivamente a um lugar de sofrimento, visto que negaremos o nosso próprio processo de evolução e amadurecimento.

De todo modo, receber um não quando se deseja um sim, é um ataque às nossas expectativas. A grande questão é como a percepção desse não também pode ser reconstruída para convivermos com a sua existência da melhor maneira possível, considerando esse tipo de resposta como uma oportunidade de luta, resistência, aprendizado e transformação. O oposto do sim pode ser, portanto, reelaborado como uma necessidade de crescimento, de ajustes e de evolução; enxergado como um livramento, uma resposta ou uma lição; encarado com leveza, revolução ou como prisão. Pode ser visto, ainda, como uma dádiva ou um impulso para uma reconstrução; um momento de pausa, planejamento ou como uma oportunidade de reconexão.

Portanto, o não pode ser ressignificado como um elemento de orientação ou redirecionamento há muito utilizado em nossa infância, como uma bússola em potencial para auxiliar na regulação do nosso olhar e das nossas velas para navegarmos na melhor direção.


Imagem: @2BeeKind - Instagram.


 
 
 

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