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Looping...

  • Foto do escritor: Amanda Fraga
    Amanda Fraga
  • 3 de mai. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de mar. de 2025


Ainda dói. O tempo passou, mas, ainda dói. Você disparou um gatilho em mim difícil de explicar e abriu uma ferida que tem me custado a cicatrizar.

Os dias chegam, as noites caem e, diante das tarefas cotidianas, eu tento me desvencilhar de tudo aquilo que me remete a você. Inevitavelmente pareço andar em círculos, porque, vez por outra, afundo-me nas profundezas de um mundo particular. No solo instável em que se transformou o meu coração, sinto-me em um campo minado, sem saber ao certo um lugar específico, neste imenso labirinto, para adquirir condições de me salvar.

Reconheço que tenho demorado mais tempo, tenho resistido um pouco mais a me entregar. Ainda assim, não consigo evitar a queda nos buracos que tanto me atravessam... Fico me perguntando como e quando vou me regenerar. Será que conseguirei a liberdade de não mais sentir o que tanto me aflige? Será que conseguirei resgatar a pessoa que um dia eu fui? Ou foi do desejo do destino que o nosso encontro ocorresse justamente com este objetivo: conviver com essa dor, ressignificando-a? Ou, ainda, despertar-me para a necessidade de examinar o meu íntimo, cuidar mais de mim e reconhecer todas as fragilidades e fortalezas que compõem o meu ser?

Não sei. Só sei que ando, ando, ando... Ando muito (muito mesmo!), com a esperança de não mais a dor encontrar. Às vezes, ando a passos largos; em outros momentos, a passos lentos, e há dias nos quais corro como se não houvesse amanhã!

Quando me dou conta de que continuo intacta, praticamente recuperada, imaginando que o sentimento não mais exista, uma hora me vejo no mesmo ponto de partida que jamais pretendia retornar. É quando passo uns dias estagnada, enxugando as muitas lágrimas, permitindo-me sentir tudo aquilo de que preciso – tão longe do mundo lá fora, mas tão presa dentro de mim... Mas não me dou por vencida e busco sempre uma saída para reerguer-me deste inóspito lugar. Daí eu corro novamente, como uma maratona sem fim, na tentativa de, mais uma vez, conseguir me desvencilhar.

Nesse processo só consigo concluir o quão frustrante é viver nesse looping infinito ou em uma espécie de labirinto. Eu almejo um dia encontrar um caminho diferente, que não mais me remeta àquela ferida aparentemente cicatrizada, mas permantemente aberta, bem aqui, dentro de mim.


 
 
 

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